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Fronteiras de Contato

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 11 de dezembro de 2012

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A rigidez na delimitação das fronteiras
A rigidez na delimitação das fronteiras
No útero tínhamos tudo pronto. Tudo que tínhamos que fazer era nadar no ambiente benevolente. A armadilha além de certo limite punha um fim ao arrendamento; tínhamos de sair e, querendo ou não, aprender a abrir nosso próprio caminho num mundo menos solícito. (Polster e Polster, 2001: 111)

Até o corte do nosso cordão umbilical, vivíamos fusionados. Não havia separação entre o corpo do bebê e o da mãe. Com o nascimento nos tornamos seres separados, buscando a união do que é diferente de nós. Não voltaremos mais a este ambiente simbiótico, sem discriminação eu-mundo. Passamos a viver em busca da união com outros organismos, pessoas. No entanto, esta união pressupõe uma separação a posteriori. Unirmos-nos e nos separarmos parece ser o paradoxo de nossa existência: como estar junto e separado?

A noção de contato pressupõe a união e a separação. Contatar-se significa, ao mesmo tempo, estar consciente de si como um ser separado e delimitado e, em união com um outro que é diferente e separado de mim. Precisamos do conato com o outro, mas também tememos este contato como a invasão de nossa fronteira. É importante que tenhamos muito claro as nossas fronteiras de conato, para que possamos ser nossos próprios ‘senhores’, onde o outro pode ser convidado a entrar, ou não. Porém, se lutarmos ferozmente pelo nosso ‘território’ podemos desperdiçar contatos vigorosos e nutritivos para o nosso organismo.

É a partir do contato que atingimos o crescimento ou que nos movimentamos em sua direção; é a partir do contato que nos transformamos e transformamos as experiências que vivenciamos. Segundo Polster e Polster (2001), a mudança é a consequência inevitável do contato, já que assimilar o que é assimlilável nas experiências de troca com o mundo ou rejeitar aquilo que é inassimilável levará à mudança, inevitavelmente. Em qualquer experiência que tenhamos, nos modificamos e realizamos novas configurações de nós mesmos, uma vez que o contato é incompatível com permanecer o mesmo. Não é necessário querer mudar a partir do contato; ele simplesmente acontece.

Para os autores, o que distingue o contato da intimidade ou união é que o contato acontece numa fronteira em que é mantido um senso de separação para que a união não ameace sobrecarregar a pessoa. (Polster e Polster, 2001: 114)

A fronteira se encontra exatamente no espaço entre o eu e o não-eu. É aí que o ego começa a existir, a partir da noção de discriminação. É importante, no entanto, que compreendamos que embora o conato sugira uma relação com o diferente, também temos a capacidade de contatarmos com nós mesmos. Inclusive, é em função de um contato genuíno com nós mesmos que conseguimos obter um contato mais autêntico com o outro.

Por outro lado, a fronteira também nos protege e nos possibilita a delimitação de nosso espaço: geográfico, corporal, moral, expressivo etc. Quanto mais diversificadas as nossas experiências mais nossas fronteiras permitirão novas experiências. Ou seja, somos capazes de permitir determinadas ampliações de limites de acordo com as experiências que temos em nossa relação com o mundo.
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